sábado, 5 de março de 2011

Que "sentido" há no modo de leitura?

Olá, meus caros leitores. Há muito não trago nada pra sua leitura. Mas hoje resolvi rabiscar algumas linhas para vocês.

O anuncio de uma antologia voltada ao estilo mangá produzido aqui no Brasil, atualmente está causando um certo alvoroço ( o que é algo bom, pois quanto mais atenção melhor).

Trata-se do projeto AÇÂO MAGAZINE, sob o comando de Lancaster, conhecido de muitos amantes de animes e mangás pelo seu Site Maximum Cosmo.

Vai ai o link pra quem queira mais informações sobre esse novo projeto direto da fonte: http://www.interney.net/blogs/maximumcosmo/2011/02/21/almanaque_acao_magazine/

Pois bem, é um projeto que tem tudo pra dar certo, mediante a credibilidade e estrutura do mesmo ( e eu como produtor de quadrinhos torço muito pra que dê certo! ^^).

Mas, não é bem disso que venho tratar aqui.
O que vem me chamando a atenção em comunidades e blogs em que se fala sobre o anuncio dessa antologia de mangás nacionais é uma certa preocupação de um pequeno (espero mesmo que seja pequeno ¬¬) contingente de leitores que acompanham essa noticia desde os seus primórdios: o fato da preocupação de "em que sentido de leitura serão publicados os trabalhos". ¬¬

Eu realmente acho isso desnecessário, visto que estamos no "brasolis" e nossa leitura é da esquerda pra direita, ou seja, sentido ocidental, porque, caso muitos não tenham notado, o Brasil FICA no ocidente.

É também interessante pensar como muitas pessoas, que eu mesmo considero puristas, ou modistas, acham que o sentido da leitura é uma elemento chave na produção do que se chama MANGÁ : " há....se não é com leitura em sentido oriental, não é mangá" ou " tem que ser sentido oriental se não perde sua identidade".

Identidade... é o que muitos que se prendem ao estilo que os japoneses usam, porque tal estilo funciona porque foi pensado e produzido para o próprio JAPÃO, parecem não ter...Mas isso não é assunto pra se discutir aqui.

Eu posso até estar errado, mas sempre pensei que mangá fosse um estilo narrativo dentro da arte seqüencial que se diferenciava dos demais pela sua estética, sua dinâmica impar e seus elementos gráficos, e não pelo sentido de sua leitura, ou o país onde é feito. Mas, sei lá...eu posso estar errado quanto a isso O.o

Ainda na parte de IDENTIDADE por assim dizer, eu gostaria de citar um exemplo de uma produção que vem crescendo a olhos vistos, Os Manhwas. É claro que se tem em mente que esse estilo de quadrinhos coreano apenas usa alguns do elementos do mangá. Porém, muitos artistas coreanos que tendem a ser fiéis ao estilo narrativo ao produzir seu MANGÁ, mantém o sentido da leitura em harmonia com o sentido de leitura do lugar onde foi produzido e será comercializado, ou seja da esquerda pra direita, pois é como eles lêem, afinal. Mas o interessante é que lá, diferente daqui, não há essa preocupação com o sentido da leitura, e sim com a qualidade da obra em sí - o que deveria ser motivo de preocupação, de fato - Tanto que o mercado de produção de quadrinhos coreanos vem crescendo muito.

Independente de ser Comics, Fumetti, Europeu, Mangá ou o que seja, creio que o necessário seria um pouco mais de bom senso, e um pouco menos de alienação e sonhos de viver como os niponicos ( a não ser que queira cortar os pulsos porque nasceu aqui, na terra do rebolations O.o)

Preocupação é algo comum e aceitável quando se espera por um projeto como esse que esta por vir, mas quando detalhes como sentido de leitura são colocados na frente de quesitos como "qualidade de arte e roteiro" passa a ser algo a se preocupar (meio trocadilho mais ta valendo.)

e essa ultima parte eu dedico aos chamados "futuros mangakás brasucas" que preferem se descabelar por que talvez essa antologia não vá aceitar seus trabalhos porque foram feitos no sentido oriental, do que se preocupar se de fato está produzindo um trabalho de qualidade boa, agradavel de se ver e ler.

mas em fim, isso é assunto pra outra hora.... Nos vemos depois ( se eu estiver vivo O.O)

Abraço!



PS: mais Assuntos interessantes de se discutir? Procure na parte "INOVA-X PENSA"



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Quadrinhos De amigos (Dedicado às mulheres!)

Esse é o trabalho de minha amiga, Cynthia. É um quadrinho que ela fez pra uma exposição na cidade dela, em homenagem a mulher. Me chamou muita atenção por mesclar bem os elementos da vida da mulher contemporânea de maneira vem divertida. Então achei que deveria dividir com vocês!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Novidades do Inova-x

É com muita alegria que venho dar esse comunicado: Fiquem ligados, pois muita novidade vem por ai em breve. Novos projetos pra acompanhar o atual trabalho do grupo. E, sobre tudo, muito material gratuito postado aqui pra vocês! ÉÉÉÉÉ!




Quem viver. verá!!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Dica de zineiro - Seja sua própria editora.

Uma das maiores aflições que quem produz um zine é: "como ele chegará na fase de impresso". Muitas pessoas, ou equipes, mesmo depois de terem o trabalho finalizado, acabam desistindo ao se deparar com os enormes preços de impressão e encadernação das gráficas.
Aqui no Recife, nós do inova-X produzimos zines impressos a três anos, o mesmo que se encontra em sua quarta edição e com um titulo novo a caminho. Muitas pessoas perguntam sobre custo de produção e ficam surpresos ao saberem que não somos ricos ( hahaha, que novidade ¬¬)
(Mas vale ressaltar que se você tem o dinheiro necessário em mãos, não há por que não fazer da maneira tradicional e mandar tudo pra a gráfica e esperar o produto final O.o)


Vejam algumas fotos de nossos trabalhos impressos:




Pensando nisso, resolvi dividir um pouco do que aprendi com os leitores desse blog. Vão agora algumas dicas singelas que espero que sejam uteis

1 Impressão.

Vou pular a parte de trabalho artístico em geral ( arte final, quadrinização) pois é outro assunto e não é o que pretendo abordar aqui, e sim "baratear produção". Primeiramente que pra aplicar as técnicas que vou citar agora, você meio que precisa ser um "meio artesão"- calma, não se assuste, eu explico ^^

Primeiro de tudo, lembre-se que você é um zineiro que apenas quer que seus trabalhos sejam vistos. Sendo assim, vá devagar; um passo de cada vez. Pense em tiragens pequenas, de 50 exemplares por vez. Esse tipo de calculo permite que você tenha material pra vender em eventos, e que tenha dinheiro pra outra tiragem de 50 e assim por diante ate decidir passar pra o próximo numero.

Mas bem, vamos a impressão: Depois da diagramação, você não vai imprimir em sua multi-funcional em casa; você vai em uma gráfica (decente) e imprimi um MODELO na maior qualidade de imagem que a gráfica oferecer.

Modelo = Um único exemplar que vai servir de base para os outros. Lembrem-se de que estamos falando de paginas soltas. Nada de grampos pois isso é parte de encadernação e não é agora ^^

Agora que o modelo já foi impresso, procure um lugar bacana para copiar. Isso mesmo, COPIAR! Calma! Tenho certeza que você já pensa em muitos zines xecorados e horríveis que tenha visto nos eventos da vida. Calma jovem padawan... Com esses macetes, seu zine pode ser copiado, mas passará muito próximo da qualidade de uma obra toda impressa, e com custo baixo, que é melhor.

Macete A: O modelo precisa ser impresso na maior qualidade de imagem possível, pois isso é um detalhe muito importante ( se não o MAIS) para a qualidade das copias.

Macete B: Essa é uma técnica ninja que eu custei a dividir com o mundo(¬¬). Depois de achar um lugar que ofereça a melhor qualidade de copiar possível, ultilize papel reciclado de alta qualidade (que se encontra em qualquer papelaria) pra fazer as copias. O truque do papel é que ele segura muito mais dos tons de zinza da copia que o papel comum, e a cor do papel em sí, em contraste com o preto da tinta, não deixa a impressão de xerox. (caso alguém pergunte o por que daquele tipo de folha... Você diz... Sei lá... Que é politicamente correto ^^). Não se preocupe. O papel reciclado de alta qualidade não é crespo como o jornal. Ele é macio e tem a textura do OF7. Não tenha medo de ser um cliente exigente: Primeiro peça uma unica copia. Depois verifique se a qualidade está de seu gosto; caso não esteja você sempre pode pedir (com jeito) que o carinha regule um pouco mais a qualidade das copias. Aí sim, começar a copiar em massa.

Macete C : Agora que você já sabe como copiar sem parecer copia, concentre-se em baratear o preço das copias - não se engane so por que é copia, pois o preço final pode ser uma facada no bolso.
Use o bom papo furado pra convencer o cara da gráfica a baratear o custo final. Uma boa alternativa é oferecer algo em troca; algo como a divulgação da marca da grafica em seu zine (sempre funciona aqui). Use como argumento complementar que nos eventos onde você vende seus quadrinhos, muitos outros produtores lhe procuram querendo informações de lugar bom e barato pra imprimir e que seria ai que a logo da grafica no zine entraria. Mas lembre-se: sempre procure ficar calmo na hora dessas negociações ^^.

PS: O miolo pode ser copiado com essas dicas pra aumentar a qualidade, mas as capas tem de ser impressas, e na maior qualidade possível. Isso é crucial, pois a capa é o cartão de visitas de seu trabalho e não pode deixar nunca a desejar. Lembre-se que essas dicas são pra aumentar a qualidade de seu zine, fazendo de maneira própria e barata, e NÃO pra competir com editoras. Você pode usar esse modo semi-artesanal de produção como primeiro passo, uma forma de adquirir experiência de contato com o publico ou simplesmente chamar a atenção de pessoas do meio... Mas nada de por os pés pelas mãos ^^


Depois de tudo copiado, é hora da encadernação, a parte que os zineiros mais temem, e em minha opinião: a mais divertida! Na continuação dessa matéria estarei passando macetes de como encadernar com lombada de maneira barata e com qualidade semelhante a encadernação de editoras. aguardem ^^

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Resultado da ofinina de desenho o Omake 2011

Pedimos desculpas pela demora na postagem das ilustrações feitas pelas pessoas que participaram de nossa humilde oficina de desenho realizada no Omake nos ultimos dia 15 e 16 desse mês.
Não conseguimos identificar de quem são todos os desenhos pela assinatura, mesmo assim postamos todos, pois todos sao importantes.

Resumindo: a galera participou, apoiou, desenhou muito. Agradecemos a todos que desenharam em nosso espaço ou que apenas nos prestigiou dando uma passada lá. Muito obrigado a todos e esperamos nos ver nos proximos eventos.

Fiquem com os desenhos da galera ^^














































CASO SUA ILSUTRAÇÃO NAO TENHA SIDO POSTADA AQUI POR MOTIVO DE ESTRAVIO OU DE INCOMPENTENCIA POR PARTE DESSE QUE VUS FALA (-__-) É SO POSTAR AQUI, ALÉM, CLARO DOS COMENTÁRIOS SOBRE AS ILUSTRAÇÕES ^^

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Atrasado para o NATAL, mas não para o ANO NOVO ^^

Nosso artefinalizador, Thiago, havia preparado essa arte pra o natal, inicialmente, mas EU, com toda minha lezeira (-__-') descobri um pouco tarde que ele havia enviado ao meu Email ¬¬

Mas em fim: atrasado para o natal, mas não para o ano novo.

PS: arte simples, sem tons de cinza e acabamentos, mas feita de coração.

O GRUPO INOVA-X DESEJA UM ÓTIMO ANO NOVO PARA TODOS!!!

mangá nacional: balanço de fim de ano.

Esse ano foi realmente muito produtivo em relação a publicação de mangá no brasil. Muitas editoras investiram em novos títulos; Novos gêneros. Algo como não havia sido visto: uma enorme variedade de mangás nas bancas pra todos os gostos e públicos.

Mas, especificamente, a publicação de material nacional foi o que mais me chamou a atenção devido ao seu crescimento visível nesse ano. Esse ano tivemos alguns trabalhos publicados por editoras, coisa não muito comum em nosso brasilsinho.

Trabalhos como O príncipe do Best Seller por Soni ( Sonia) e Vitral por Shirubana ( silvana), do Futago studio, ambos lançados pela HQM editora durante o Anime Friends desse ano. Ambos voltados ao publico feminino, atingiram, em minha opinião, um ótimo nível, isso nos conceitos de arte e editorial, pois apenas li o Príncipe do Best Seller.

Esse, em questão de historia é bem divertido (nada revolucionário, mas legível), com narrativa clara e bem executada.
Tanto O Príncipe do Best Seller, quando Vitral tem os próximos volumes marcados pra janeiro.

Um pouco mais a frente no calendário, chegou às bancas Zucker, do Studio Seasons lançada pela New Pop editora ( a mesma que a tempos nos faz aguardar pela obra nacional Hansel e Gretel).

Com uma historia bem contada, e apesar de ser voltado ao publico feminino, sem muitos dos "fru frus" excessivamente presentes em obras do mesmo gênero. Zucker me surpreendeu por conseguir contar uma boa historia em um único volume ( Fugindo do paradigma que historia boa tem de render milhares de edições). Arte impecável como é de costume das meninas do Seasons. Roteiro simples, mas envolvente.

Também Pela New pop, o Studio Seasons já confirmou a chegada de Helena, uma adaptação baseada na obra de Machado de Assis.

Agora vamos as considerações finais:

Notaram que eu apenas citei obras voltadas ao publico feminino?
E sabe por que?
A resposta é simples: Porque realmente NADA ( ao menos, nada que mereça citação) voltado ao publico masculino foi lançado por editoras. Por que isso? As meninas trabalham melhor que os meninos?
Deixando a guerra dos sexo de lado, uma coisa tem de ser dita: ao que parece, essas autoras que citei tiveram um pouco mais de consciência do que é necessário pra novas tramas, novos trabalhos nacionais de qualidade. Não afirmando que elas estão revolucionando com obras dignas de "premio", não, não é bem assim. O que quero dizer é que em MINHA opinião, baseado em muita coisa que vi e pesquisei esse ano, essas meninas conseguiram se desprender um pouco mais dessa maldição de clichês e falta de imaginação de muitos artistas e aspirantes; isso no seu Gênero.
PS: vale ressaltar que que com exceção de Vitral, todos esse trabalhos tem ambientação nacional, o que é ponto extra em minha opinião.

No que diz respeito a trabalhos voltados a publico masculino, o que ouvi muito, tanto de leitores, ate como de editores, foi a reclamação referente a falta de coisa BOA por assim dizer. O excesso de copias nipônicas( feitas na esperança de durarem anos e renderem infinitas edições), de obras pobres, de material de baixa qualidade. Falou-se muito na necessidade da "renovação"; de uma abertura na mente de nossos roteiristas em busca de uma identidade própria na criação de um mangá voltado ao publico masculino que seja Aceitável, ao menos, pra ser lançado por uma grande editora, que em minha opinião, tem demonstrado cada vez mais interesse nesse segmento.

Acho também que está faltando aquele capricho a mais que geralmente as meninas tem. Digo isso por que já vi muito a preguiça tomando conta de certos autores; Aquela coisa de "ahh...pra que melhorar,,,tá otimo assim." E depois reclamar de criticas em relação a traço, quadrinização e etc. Mas isso é Opinião minha, e como sou meio exigente nesse aspecto, sou suspeito pra falar hehehe.


Eu também acho que muita coisa deixa de ser criada por causa dessa preocupação de muitos em criar um Bleach ou um Naruto brasileiro. Esquecem-se do nosso vasta obra literária, repleta de escritores talentosos e revolucionários só esperando pra ganhar uma boa adaptação ( mas isso já seria outro gênero, por tanto outro historia). E por ai vai.

Resumindo: esse ano houve um grande aumento na publicação de material nacional no estilo mangá. Porém, só deu as meninas na cabeça ^^.
Parabéns merecido a essas autoras.

termino esse ano com a esperança de ver cada vez mais material nacional nas bancas, que cada vez mais historias boas sejam contada.

E que você quadrinista que por um acaso leu esse humilde texto, continue fazendo seu trabalho na intenção de sempre deixa-lo melhor aos olhos do publico e seu próprio, por que acima da qualidade do que se faz, necessitamos que artistas que amem mais o que se faz.


Boas festas e um ano novo cheio de conquistas a todos nós ^^

Papo de Desenheiro